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Redes sociais e autoestima na adolescência: como ajudar

1 de julho de 2026 · Bruna Rocha

A adolescência sempre foi uma fase de se comparar e de buscar pertencer a um grupo. A diferença é que hoje essa comparação acontece o dia inteiro, a cada vez que o adolescente desbloqueia o celular. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o uso problemático de redes sociais entre adolescentes subiu de 7% em 2018 para 11% em 2022, e é mais forte entre as meninas (13%, contra 9% dos meninos), segundo um estudo com quase 280 mil jovens de 44 países. Não se trata de demonizar a tecnologia, e sim de entender como ela mexe com a autoestima nessa fase e como a família pode apoiar.

O que muda na adolescência

O cérebro adolescente ainda está em formação. Segundo o guia do Ministério da Saúde sobre uso de telas (2025), essa etapa aumenta naturalmente a busca por novidade e risco e a sensibilidade à pressão dos colegas. Quando ele larga tudo para responder uma mensagem, não é “frescura” nem falta de força de vontade. É uma combinação de biologia com momento de vida. Pertencer ao grupo é uma necessidade real, e as redes tornam o “estar por fora” mais visível do que nunca.

Comparação, validação e sono

O que mais pesa na autoestima:

  • Comparação. O feed mostra recortes editados da vida dos outros, e o adolescente acaba comparando a própria rotina inteira com o melhor (e mais filtrado) momento de todo mundo.
  • Validação. Curtidas e comentários viram um termômetro instável de valor pessoal, que sobe e desce várias vezes ao dia.
  • Sono. A OMS associa o uso problemático de redes a dormir menos e mais tarde, e noites mal dormidas alimentam ansiedade e irritabilidade no dia seguinte.

O Ministério da Saúde relaciona o uso excessivo a sintomas de ansiedade, depressão e dificuldades de sono. Ansiedade e depressão estão entre as principais causas de adoecimento na adolescência, segundo a OPAS/OMS.

Sinais que merecem atenção

Nem todo tempo de tela é um problema: o que importa é o padrão e o impacto. Merecem um olhar mais atento:

  • Mudança marcante de humor, irritabilidade ou tristeza persistente.
  • Afastamento das relações e das atividades fora da tela.
  • Sono prejudicado e queda no rendimento escolar.
  • Ansiedade intensa ao ficar sem o celular.

Nenhum desses itens, sozinho, quer dizer muita coisa. O que chama atenção é vários deles juntos, se sustentando por semanas. Observar com calma rende mais do que reagir no susto.

Como conversar sem virar briga

Proibir tudo de uma vez costuma gerar mais conflito do que mudança. O que ajuda:

  • Curiosidade antes da crítica. Perguntar o que ele assiste, quem segue e o que curte. Entender antes de julgar mantém a conversa aberta.
  • Combinar limites juntos. Regras construídas a dois são mais respeitadas do que as impostas de cima.
  • Telas fora do quarto à noite. O celular carrega na sala, não no quarto.
  • Dar o exemplo. Adolescentes percebem quando o adulto cobra o que não pratica.

Você não precisa ganhar essa discussão. Precisa continuar sendo a pessoa que ele procura quando algo dá errado.

Um limite saudável

Como referência, o Ministério da Saúde recomenda até três horas diárias de telas para lazer na faixa dos 11 aos 17 anos. Só que o cronômetro ajuda pouco sozinho. Olhe a qualidade do uso: se ele está tirando espaço do sono, dos estudos, do movimento e dos encontros presenciais.: se ele está tirando espaço do sono, dos estudos, do movimento e dos encontros presenciais.

Quando buscar ajuda

Se a autoestima, o humor ou o sono do adolescente vêm sofrendo de forma persistente, conversar com um profissional ajuda a entender o que está por trás e a encontrar caminhos. A terapia para adolescentes, inclusive no formato online, oferece um espaço de escuta sem julgamento, para o adolescente e, quando faz sentido, com orientação à família.


Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação psicológica individual. Em situações de urgência, procure atendimento presencial, o CVV (188) ou o SAMU (192).

Primeiro contato

Vamos conversar?

A primeira conversa é um momento para nos conhecermos, entender sua demanda e alinhar o caminho terapêutico com leveza e cuidado. Para crianças e adolescentes, o contato é feito com a família.

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